A divulgação produção literária como um todo ainda é um tanto recheada de preconceitos, explícitos ou disfarçados. As produções que conseguem contra-atacar essa estrutura tem, na maioria das vezes, um caráter de superação de estereótipos, na divulgação do negro enquanto sujeito literário, dono do próprio discurso e da ação que pratica como forma de auto-afirmação identitária. Citarei aqui alguns nomes, todos bem desconhecidos pelo grande público, mas que são excelentes referências da literatura, da poesia negra, seja brasileira ou africana:
Noêmia de Souza, poetisa moçambicana que faleceu em Portugal em 2001, sofreu perseguições políticas por parte das autoridades lusas, viveu muito tempo exilada na França. Esta figura desacreditava que, algum dia, os seus versos poderiam ser publicados e nem achava que teria o mérito de sê-lo. Tanto é que foi a Associação de Escritores Moçambicanos que teve o trabalho de reunir seus poemas no livro Sangue Negro.
SÚPLICA
Tirem-nos tudo,
mas nos deixem a música!
Tirem-nos a terra em que nascemos,
onde crescemos
e onde descobrimos pela primeira vez
que o mundo é assim:
um tabuleiro de xadrez...
Tirem-nos a luz do sol que nos aquece,
a lua lírica do xingombela
nas noites mulatas
da selva moçambicana
(essa lua que nos semeou no coração
a poesia que encontramos na vida)
tirem-nos a palhota que nos dá o pão,
tirem-nos o calor do lume
(que nos é quase tudo)
mas não nos tirem a música!
Podem desterrá-nos
levar-nos
para longes terras
vender-nos como mercadorias, acorrentar-nos
à terra, do sol à lua e da lua ao sol
mas seremos sempre livres
se nos deixarem a música!
Que onde estiver a nossa canção
mesmo escravos, senhores seremos;
e mesmo mortos, viveremos
e o nosso lamento escravo
estará a terra onde nascemos
a luz do nosso sol
a lua dos xingombelas
o calor do lume
a palhota que vivemos
a machamba que nos dá o pão!
E tudo será novamente nosso
ainda que cadeia nos pés
e azorrague no dorso...
E o nosso queixume
será uma libertação
derramada em nosso canto!
-Por isso pedimos
de joelhos pedimos:
Tirem-nos tudo...
mas não nos tirem a vida,
não nos levem a música!
Noêmia de Souza. sangue negro. Associação dos Escritores Moçambicanos, 1988.
Aqui vai uma pequena lista com nomes de alguns Poetas Populares Negros do Nordeste Brasileiro:
- Ascenso Ferreira
- Mestre Carnaubá
- Antonio Baracho
- Zé Bolô
- Zé Bagadu
- Inácio da Catingueira
- Fabião das Queimadas
- Manoel Caetano
- Rio Preto
- Preto Limão
SE A PESQUISA EM TORNO DESSES NOMES TIVER CONTINUIDADE, SERÁ DIVULGADO, NO DECORRER DO TEMPO, BIOGRAFIA E OBRA DESSES POETAS.
*Na lista Dicas de Leitura, na parte inferior da página, há dois livros que tratam da Literatura Negra de Língua Portuguesa.

2 comentários:
[red] oi gostei muito não era oque eu tava realmente procurando mais foi muitointeressante ler eese conteudo parabens para quem o fez!!
bjuzzzz[red]
Ola Gostei Muito era Exatamento Oq eu estava a Procura e um poco mais, Parabens!
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