
"Noêmia de Souza nasceu em Catembe, Moçambique (1926). Poetisa. Teve destaque em sua geração por buscar formular uma poesia radicalmente moçambicana, além de influenciar os jovens poetas da década de 1950. A partir de 1951, já em Lisboa, trabalha como tradutora. Colaborou em várias revistas e jornais moçambicanos."
Citado de: Revista Palmares - Cultura Afro-Brasileira. Ano II - Nº 3 - Dezembro 2006.
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Gentes estranhas com seus
olhos cheios doutros mundos
quiseram cantar seus encantos
para eles só de mistérios
profundos,
de delírios e feitiçarias...
Teus encantos profundos de
África.
Mas não puderam.
E seus formais e rendilhados
cantos,
ausentes de emoção e sinceridade,
quedaste-te longínqua,
inatingível,
virgem de contactos mais fundos.
E te mascararam de esfinge de
ébano, amante sensual,
jarra etrusca, exotismo tropical,
demência, atração, crueldade,
animalidade, magia...
e não sabemos quantas outras
palavras vistosas e vazias.
Em seus formais cantos
rendilhados
foste tudo, negra...
menos tu.
E ainda bem.
Ainda bem que nos deixaram a
nós,
Do mesmo sangue, mesmos
nervos, carne, alma,
sofrimento,
a glória única e sentida de te
cantar
com emoção verdadeira e
radical,
a glória comovida de cantar,
toda amassada,
moldada, vazada, nesta sílaba
imensa e luminosa: MÃE

Um comentário:
Revisando a história negra revolucionariamente
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