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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Negra


"Noêmia de Souza nasceu em Catembe, Moçambique (1926). Poetisa. Teve destaque em sua geração por buscar formular uma poesia radicalmente moçambicana, além de influenciar os jovens poetas da década de 1950. A partir de 1951, já em Lisboa, trabalha como tradutora. Colaborou em várias revistas e jornais moçambicanos."
Citado de: Revista Palmares - Cultura Afro-Brasileira. Ano II - Nº 3 - Dezembro 2006.
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Gentes estranhas com seus

olhos cheios doutros mundos

quiseram cantar seus encantos

para eles só de mistérios

profundos,

de delírios e feitiçarias...

Teus encantos profundos de

África.


Mas não puderam.

E seus formais e rendilhados

cantos,

ausentes de emoção e sinceridade,

quedaste-te longínqua,

inatingível,

virgem de contactos mais fundos.

E te mascararam de esfinge de

ébano, amante sensual,

jarra etrusca, exotismo tropical,

demência, atração, crueldade,

animalidade, magia...

e não sabemos quantas outras

palavras vistosas e vazias.


Em seus formais cantos

rendilhados

foste tudo, negra...

menos tu.


E ainda bem.

Ainda bem que nos deixaram a

nós,

Do mesmo sangue, mesmos

nervos, carne, alma,

sofrimento,

a glória única e sentida de te

cantar

com emoção verdadeira e

radical,

a glória comovida de cantar,

toda amassada,

moldada, vazada, nesta sílaba

imensa e luminosa: MÃE



Um comentário:

Unknown disse...

Revisando a história negra revolucionariamente
http://www.martinsbenperrusi.com/crbst_41.html
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